Blog Pensante de Monique Gomes

"A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem" John Lennon ******* Acesse o site: www.migosemigas.com.br

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04.01.07

A morte...essa necessária

 


Nos desenhos animados e nas revistas em quadrinhos ela aparece vestida com uma enorme capa preta e segurando uma foice. Na vida real, a morte é, sem dúvida, uma visita indesejável a todos.

 

Nascer,

              crescer e
                               
                              morrer.

 

Esse é o nosso destino. Todos nós um dia iremos comer capim pela raiz: a morte é a única certeza inexorável, verdade absoluta e incontestável.

 

Quando pequenos, nossos pais nos ensinam a diferenciar o certo do errado. Na escola, nos ensinam a ler e a escrever. Ninguém nos ensina a lidar com a morte, a não ser, claro, a própria vida.

 

Muitas vezes o primeiro contato de uma criança com a morte é quando ela perde algum bichinho de estimação. Quando pequena, meu pai costumava me presentear com animais porque eu gostava muito de cuidar dos bichos. Tive vários. Tenho lembranças de minha rotina diária em alimentar um casal de pombinhos. Também tive um gato que se chamava Togo, era branco com listras amarelas. Eu brincava muito com ele. No sítio do meu pai eu tinha um bezerrinho. Na realidade, ele me fez acreditar que o bendito bezerro era meu, e eu me sentia dona, claro.

 

Não sei se por obra do destino, ou falha na memória, mas não me recordo de nenhum caso de morte entre os bichos que eu cuidei. Lembro que o gato sumiu um dia e nunca mais voltou. A idéia de morte era considerada, mas não tive a oportunidade de presenciar isso de perto, ou seja, de ver o bicho morto mesmo “com esses olhos que a terra há de comer”, enfim, era só uma hipótese.

 

Ainda assim, foi meu próprio pai que me deu essa lição de aprender com a morte, no dia em que ele morreu. Fiquei de bico, zangada com Deus. Não falava com ninguém. Eu tive uma febre tão alta que toda a pele do meu rosto descascou.

 

O ser humano teme a morte, mesmo sem saber. E é esse medo que impulsiona o homem a realizar, criar, produzir. Escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho: é como se ele pudesse ser imortalizado. Um mortal, imortalizado.

 

Quem sabe, haverá o dia em que a morte, na nossa cultura, será aceita como um mero acontecimento biológico... 

 

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