Blog Pensante de Monique Gomes

"A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem" John Lennon ******* Acesse o site: www.migosemigas.com.br

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"A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem" John Lennon ******* Acesse o site: www.migosemigas.com.br
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Arquivo de: Fevereiro 2009

25.02.09

Tá bom, eu vou falar sobre o Carnaval

Eu sei. Você acessou esse humilde blog procurando por um comentário sobre o Carnaval. Geralmente eu não escrevo sobre datas festivas desse tipo porque isso é muito previsível, mas vou abrir uma exceção para falar não sobre o Carnaval de modo geral, mas o Carnaval que meus olhos viram. Primeiro que eu não sabia que som de paredão era uma disputa. Onde tem um paredão tocando, tem outro do lado. O paredão que conseguir estourar os tímpanos de uma quantidade maior de pessoas ganha. Mas é uma batida legal, claro. Você sai surda, mas tem um som de qualidade.


Não tive tempo de me desculpar pessoalmente porque ela estava ocupada vociferando palavrões escabrosos contra a minha pessoa, mas o faço agora. Caso esteja me lendo, me desculpe por fazer você se estabacar no chão, querida desconhecida. Mas você deveria estar mais atenta, porque quando alguém está pulando em sentido lateral direito, é natural que retorne ao ponto de partida.


Acordei nessa quarta-feira de cinzas sentindo a necessidade de usar uma cadeira de rodas, só pra me poupar da dor de pisar no chão. Gosto de sambar, mas isso me custou um serial killer infindável de calos nos pés. O chão hoje está impisável, se é que existe essa palavra. Como se não bastassem os calos, sofri inúmeros pisões de todo tipo de tênis, sapato e ponta de sandália. Acho que eu mesma contribuí pra isso acontecer, porque quando o vocalista mandava a multidão pular pra esquerda eu pulava pra o lado oposto, quando todo mundo seguia pulando pra frente eu pulava pra trás. E eram muitos pés, muitos mesmo.


A dança tem uma expressividade impressionante. Se você é mulher e não tá a fim de “ficar” isso se torna explícito através da dança. Os homens te olham com uma cara de quem deseja uma aproximação, mas com a certeza de que serão dispensados.


É isso.


Receitas caseiras para curar calos serão bem-vindas.

18.02.09

A caixa de correios

Até outro dia eu tava matutando sobre a caixa de correios e exatamente hoje ela fugiu da regra, por isso falarei sobre ela. A caixa de correios, esse objeto inanimado que está instalado na entrada das nossas casas, é a coisa mais sem criatividade que pode existir. Quem tem uma caixa de corrreios jamais é surpreendido, porque o conteúdo é sempre previsível: contas a pagar. Você nunca vai abrir a sua caixa de correios e encontrar um bilhetinho romântico, um bombom sonho de valsa, um poema ou um comunicado de que ganhou um prêmio, são sempre dívidas. Hoje foi o dia da exceção, quando meu amigo Pereira Neto me enviou a foto de seu pai, Dr. Nabuco Pereira, e mandou um e-mail dizendo assim: “Monique, deixei os retratos na sua caixa de correio”. Respondi: “Amigo, você esqueceu de anexar, não recebi”. Adivinha. Era a caixa de correios tradicional, não a virtual.

17.02.09

Saiba como calcular o seu nível de importância

Eu sempre achava que o nível de importância de uma pessoa se media pela quantidade de vezes que o celular dela toca. Claro que isso não é sério, são só insanidades que me ocorrem de vez em quando. Observe o celular de um prefeito, de um deputado. Toca o tempo todo. O celular de um médico é um histérico. De um traficante famoso, nem se fala.



Mas isso tudo é muito relativo. O meu celular, por exemplo, não toca, ou pouco chama. Mas eu me sinto uma pessoa importante, principalmente quando as pessoas se reúnem para questionar a minha vida e eu sinceramente admiro o poder criativo que elas têm de desenvolver histórias. Nesses momentos eu fico me imaginando no centro de uma entrevista coletiva, como fazem com as estrelas do futebol antes ou após um campeonato.

13.02.09

Como prender o turista por mais tempo

Não imagine um par de algemas, estimado leitor. É força de expressão. O desenvolvimento do Turismo em todas as cidades da Serra da Ibiapaba sempre foi ameaçado pelo dilema: Como fazer com que o turista permaneça por mais tempo na cidade? Esse é o Calcanhar de Aquiles da Ibiapaba. O visitante chega, conhece os principais pontos turísticos em um único dia e vai embora. Se permanecesse por mais tempo, obviamente consumiria mais.


O Turismo é uma atividade revolucionária porque envolve a melhoria de TODOS os segmentos, como: limpeza pública, urbanização, iluminação, estradas, atendimento médico, entretenimento, rede hoteleira, comércios, enfim, TUDO. Turismo não é necessariamente e tão somente preparar a cidade para oferecer ao turista o que ele quer. Envolver as pessoas para a construção e preservação da própria história, dos costumes, fortalecendo as culturas e os saberes, é essencial para o desenvolvimento das comunidades e isso também atrai turistas.


É fato que a região tem um enorme potencial turístico. A natureza foi muito generosa com o clima, a variedade dos cenários, trilhas e cachoeiras. Entretanto, nem só de potencialidades naturais vive o turismo. É preciso a ação do homem para administrar esse potencial com sustentabilidade e criar outras oportunidades de negócio e fomentar o desenvolvimento.

 

Além do efeito multiplicador da economia que a atividade turística proporciona para o desenvolvimento da cidade, o ponto alto desse tipo de investimento é a melhoria da qualidade de vida e o aumento da auto-estima da população.


Então, o que a Ibiapaba deve fazer para “prender” o turista por mais tempo na Serra? Parece óbvio demais achar que as respostas para essa pergunta seriam: integração entre os municípios, elaboração de um calendário de eventos culturais com datas fixas, criação de um roteiro turístico e muita publicidade através de internet, jornais, etc.


Muitos eventos culturais de grande porte que estão acontecendo na região pecam feio no quesito publicidade. Consequência disso é o fracasso de público e a castração das oportunidades de negógios. E os erros se repetem. É preciso acordar para o marketing, porque o melhor da festa é esperar por ela.

 

- Por Monique Gomes, publicado no Jornal Folha Ubajarense, edição 39 (2 de 12)

11.02.09

Eu poderia escrever muitas coisas...

Muitas vezes há tanto o que dizer que o melhor é calar, fazer as palavras reféns. Mas eu poderia escrever sobre as bizarrices do orkut, por exemplo. Tem gente que cria usuário falso e redige um depoimento elogioso no próprio perfil e fica dando em cima de si mesmo, mandando recadinhos carinhosos. O objetivo, vai saber, mas nesse orkut tem de tudo um pouco. Deus abençoe os narcizistas.


Eu poderia escrever sobre as mulheres que apanham dos maridos. Daria um post e tanto. Sobretudo eu falaria não só da violência física, mas da violência moral, a que dói mais. Por dentro, a dor. Por fora, piadas sem graça e mal contadas.


Eu poderia escrever sobre a insistência de determinadas pessoas em culpar os outros pela sua própria incompetência. Ela cria uma realidade absurda e trabalha com afinco para que os demais acreditem no que ela gostaria que fosse verdade. A própria incompetência é inadimissível e o mais importante é que todos acreditem o contrário.


Eu poderia escrever sobre o ego. Sobre o estrelismo. Sobre a síndrome de importância. Eu poderia escrever sobre o dinheiro e o efeito colateral que ele gera em mentes fracas. Eu poderia escrever sobre a minha aversão por status e sobre amizade verdadeira.


Eu poderia escrever sobre o quanto é difícil dizer sim, enquanto todos dizem não. Mas já chega, não vou escrever nada.