Blog Pensante de Monique Gomes

"A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem" John Lennon ******* Acesse o site: www.migosemigas.com.br

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Arquivo de: Julho 2008, 23

23.07.08

Grilo, do latim grillus

Eu sabia que chegaria o dia em que eu escreveria sobre ele. Tudo acaba em Blog. Aposto que você também já foi surpreendido às três da manhã com a melodia de um grilo. O que você fez? Estava tão bêbado de sono que respirou fundo e tentou dormir, ou arregaçou as mangas e foi à caça do bicho? Em qualquer uma dessas opções, o resultado é uma noite mal dormida por culpa de um grilo, um mísero grilo.


O infeliz escolhe a hora mais silenciosa da noite pra cricrilar, parece até provocação. Diz a ciência que eles cantam para atrair as fêmeas para a reprodução e o barulho é menos estridente quando a grilinha está por perto e se inicia a paquera. Que mau gosto, eu prefiro violão.


Acho que julho é o mês dos grilos, assim como maio é o mês das noivas, porque aqui em casa eles aparecem todos os dias. Já até pensei em montar um negócio lucrativo e exportar pra China – acho que é lá que eles usam o grilo na gastronomia.


Incontáveis são aqueles em que eu já dei cabo, depois da madrugada que passei em claro. Uma chinelada impiedosa e a consciência tranqüila. Matar grilo é bem mais fácil que matar barata. A barata é mais astuta, ágil. Tem que ter muita técnica pra matar barata. O grilo é meio chapado, não tem percepção de presença como ela, mas há exceções. O finado que ora se encontra ali, ao lado do meu aparelho de ginástica, pulou alto antes da morte. Eu só consegui esmagá-lo na terceira tentativa, com meu chinelo inexorável.


Nunca esqueci de uma cena hilária que aconteceu na aula de Ecologia na faculdade de Turismo. O professor, descendente de japonês, tinha um português puxado pra caramba e era um entusiasta ambientalista acima de todas as coisas. Um grilo saltou cricrilando perto da minha colega do lado e ela não pensou duas vezes, levantou o pé e mandou o grilo pro além. O professor, indignado, protestou, com aquele jeitinho de falar meio atravessado e extremamente pausado:
__ Maria Rita... por que... você... fez isso..., Maria Rita?...
__ Ow, professor, me desculpe! – ela, arrependida, não por ter matado o grilo, mas por ter feito isso na frente dele.
__ Não é a mim... que você... tem que pedir... desculpas, Maria Rita...
Silêncio geral na sala. Eu levanto, apontando para o grilo, e ordeno, toda autoritária:
__ Pede desculpa pro grilo, Maria Rita!


Veja como são as coisas. No passado, entrei na defesa de um grilo.
Hoje, me tornei serial killer profissional.