Blog Pensante de Monique Gomes

"A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem" John Lennon ******* Acesse o site: www.migosemigas.com.br

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Arquivo de: Julho 2008, 08

08.07.08

Uma campanha por menos capitalismo

Definitivamente, as indústrias surtaram. A cada dia o meu nível de indignação se supera. Dessa vez, eu fiz a compra de um simples batom – aparentemente é um simples e inocente batom, que, como todo batom, deveria apenas cumprir a missão de colorir os lábios, uma prática do ritual feminino.



Ao utilizar o produto, senti um ardor estranho nos lábios. Sabe aquele gosto apimentado que o Trident sabor Canela deixa? Pois é, eu estava sentindo isso na parte externa da boca. Imediatamente iniciei um estudo empírico do caso e, manuseando a embalagem, percebi que no centro do batom havia um bastão de cor clara. Era esse – pensei - o responsável por aquela sensação pra lá, bem pra lá de refrescante. Suponho que a indústria chame isso de “tecnologia” – na realidade, são conseqüências nocivas da Revolução Industrial.



Não satisfeita com a suposição, busquei informações na internet que validasse a minha hipótese. O que eu descobri? O imprestável do batom tem o próprio site e ainda promete tornar os lábios mais volumosos com a exclusiva tecnologia Maxi Lip Plumping (eu já sou beiçuda, obrigada), deixá-los duplamente mais hidratados (nooossa!) e com cobertura perfeita, além, é claro, do efeito pimenta… eu posso com isso? Eu queria apenas um batom!



Até a bem pouco tempo eu achava que o consumidor tinha total responsabilidade pela criação de produtos assim. Eu acreditava que a indústria fabricava exatamente o que a massa queria consumir, mesmo que ela ainda não soubesse que queria consumir – como é o caso dos celulares, sempre agregando novidades. Hoje eu tenho minhas dúvidas – ou será que o batom que eu comprei passou por uma pesquisa de mercado antes de ser desenvolvido, onde todas as mulheres, por unanimidade, optaram por um batom que arde na boca? O que dizer ainda do consumidor que, ao responder uma pesquisa para uma indústria de papel higiênico, exigiu que o produto tivesse aroma de óleo de amêndoas?



Perambulando na antiga praça do mercado de Atenas, por volta de 400 a.C., Sócrates já se indignava com a quantidade de quinquilharias expostas à venda. O que diria ele hoje, diante de tanto capitalismo?